quinta-feira, 11 de outubro de 2012

O fim de um Governo

No Público, enquanto ainda existe.

O fim de um Governo pode muito bem dar-se quando o Povo quer. Ou quando as zangas domésticas não escapam ao sorriso escarninho da vizinhança.

O fim de um Governo pode dar-se também quando primeiros-ministros se veem deserdados pelos seus pais criadores. Ou quando atalham por desvios que, de tão enormes, os levam, perdidos.

Governos enterrados por Presidentes [que acharam que assim, enterrados, era melhor, ponto], ou Governos suicidas; está quase tudo visto.

Mas o caso do Governo de Pedro e de Miguel é especial.

Há um amor fraternal que os une [infinito, como todos os amores devem ser]. Que outra força do mundo, senão o amor entre dois irmãos, poderia mantê-los de unhas tão fincadas um no outro, espiralando até ao fundo?

Unidos para sempre, Pedro e Miguel têm uma paixão heroica: caindo um, cai o outro, e vice-versa.

O Miguel sempre fez tudo pelo Pedro. E o Pedro sempre tudo fez pelo Miguel.

O Velho do Restelo, no leito da morte, lá vai gritando: «Relvas ajudou empresa ligada a Passos». E então? Quem censura a fidelidade?

Bruxelas? Bruxelas em risco de apregoar pelo mundo inteiro que os seus fundos estruturais foram desbaratados em negócios entre o atual primeiro-ministro e o então secretário de Estado, e atual ministro?

Que se lixe Bruxelas! Entre irmão e irmão ninguém mete a mão. Só eles.


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