sexta-feira, 5 de agosto de 2011

A cacofonia de Barroso e o maestro alemão



Barroso escreveu ontem uma carta aos líderes da zona euro lembrando o que todos já sabiam. Que as decisões tomadas no Conselho Europeu de 21 de julho * são insuficientes para evitar a propagação do mal. Somadas à comunicação «indisciplinada» dos líderes europeus, tais medidas justificam o ceticismo crescente dos investidores quanto à capacidade «sistémica» da zona euro para se curar * .

A Alemanha não gostou do lembrete e, hoje, mandou Barroso calar-se * . O Bundesministerium der Finanzen de Wolfgang Schäuble tem os seus próprios planos para salvar a Grécia e a Europa * . Indo diretos ao ponto * : a Alemanha entende que, como paga, também deve decidir. Sem aceitar conselhos de Barroso, a quem nunca reconheceu autoridade.

Esta dança era previsível e vai ter, muito provavelmente, encore.  Este federalismo súbito de Barroso não estava previsto. O seu contrato de trabalho incluía tarefas simples. Nem sequer foi a primeira escolha * e a sua ascensão deveu-se apenas a uma especial preocupação com o eixo atlântico, num momento que o tempo já cristalizou.

Quando chamou a si, tarde, a defesa do euro e da União (de resto, como sempre lhe competiu, de acordo com as letras graúdas dos Tratados), o presidente da Comissão foi acusado pela Alemanha de contribuir para a cacofonia.

É verdade que Barroso pode não ser competente para conduzir esta complexa sinfonia. Talvez por isso seja de sugerir que a Irlanda, a Grécia, Portugal, a Espanha e a Itália se reúnam para aprovar um plano especial de mendicidade.  Sugiro, como ponto de encontro, o Banco de Portugal. E que se convide a Polónia. O que seria um grande hino à alegria germânica...

(Ligações com interesse:
  • Sítio na Internet do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira *. Em inglês, para português ler.
  • Prova de vida da Alta Representante da União para os Negócios Estrangeiros [e a Política de Segurança] * . Catherine Ashton aguarda que a Europa possa falar a uma só voz.

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