domingo, 7 de agosto de 2011

As férias de Bruxelas

Desde o dia 1 de Agosto, lê-se no portal da União Europeia * :
The summer recess slows down the regular rhythm of activities of EU institutions and the production of news material. Until the end of August, the Highlights section of this site will therefore not be updated daily, but whenever there is relevant news to report. 
Ontem, a Standard and Poor's desclassificou historicamente os EUA. De imediato,  «Sarkozy e Cameron falaram sobre a crise mundial» * e convocaram o G7. O PM britânico, que nunca perdeu o sono com as dores do euro, parece agora empenhado na resolução rápida das aflições do dólar.

À primeira vista, estranhar-se-ia que uma organização para-federal como a UE fosse ultrapassada a trote por uma reunião informal de sete países industrializados. (Sete, e não oito, porque a Rússia, para o que aqui interessa, é rija e soberana.)

Mas Sarkozy compreendeu que, não se entendendo com Merkel, precisa de outros aliados para isolar o seu país do vírus das dívidas soberanas. Aproveitou a humilhação norte-americana e acenou a Cameron com o perigo iminente vindo dos EUA. Foi o bastante para que Cameron se levantasse da poltrona.

Se, antes, Merkel podia dar ralhetes a Lisboa, Dublin e Atenas, terá agora mais dificuldades em fazê-lo contra Washington. Se, antes, tinha livre margem para impor as condições dos resgates e cumprimentos, tem agora pela frente um adormecido britânico com as suas próprias libras para proteger.

Os líderes europeus apenas internamente se mantêm irredutíveis no jogo doméstico de culpas. A melopeia alemã é bem exemplo disso e Portugal é a prova viva. Com esse jogo, conquista-se o poder. Externamente, há muito que sabiam que a loucura dos mercados é global e que só em bloco se poderá sedá-los.

Com tantas moedas, economias e interesses em jogo, incapaz de encontrar uma solução, a UE tem mesmo razões para estar de férias. O maestro alemão já esteve mais longe de ir para a reforma e de compreender que, apenas com fundos, talvez não tenha a velhice com que sempre sonhou.

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