domingo, 24 de julho de 2011

Do multiculturalismo a Winehouse

Neste conturbado fim de julho, discute-se a dualidade de critérios utilizada para caraterizar o terrorismo de Oslo e Utøy, na Noruega *.

Nas primeiras horas, os média davam conta da possível ligação do atentando ao terrorismo islâmico. Depois divergiram e deram-lhe um rosto nórdico. Exibiram a fotografia de um suspeito e fizeram-na circular pela Internet, enquanto informavam que se tratava de um fundamentalista cristão com ligações a fóruns nacionalistas e anti-islâmicos.

O mundo atlântico parece ter ficado, subitamente, mais tranquilo. Já não se suspeita de um temível membro da Al-Qaeda, mas de um dos nossos. Os terroristas internos parecem chocar menos a sociedade (ou, pelo menos, a imprensa). São vistos como meros lunáticos domésticos, que levam as suas convicções longe demais.

A atuação isolada de um único indivíduo oferece menos problemas para a segurança interna, é certo. Desde que assim se mantenha; isolada. As críticas ao islão e ao multiculturalismo, contudo, têm subido de tom na última década. Na Europa contemporânea, os nacionalismos queimam como um rastilho. Os orgulhos nacionais tendem a resumir-se ao elogio da raça, de certos feitos históricos dúbios ou da superioridade do cristianismo .

Os raciocínios tribais destes miseráveis de espírito impedem-nos de conviver com a diferença. São alimentados pela convicção, absurdamente incontestada, da existência de uma guerra de civilizações. Quando o que está em guerra não são as civilizações mas os egos daqueles que as querem dominar. Organizados ou não.

No vídeo abaixo, o Superintendente Raj Kohli, da Polícia Metropolitana de Londres, pede respeito pelo sofrimento da família e amigos da falecida Amy Winehouse. Talvez se tivéssemos mais superintendentes assim, a Europa pudesse ser um espaço mais seguro.



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