quarta-feira, 27 de julho de 2011

Do colégio à escola pública

Muitos pais estão a devolver os seus filhos à escola pública*. Sem rendimentos para pagar as mensalidades da privada, as famílias depositam no Estado as suas últimas esperanças. Estando o país em posição fetal, esta migração não surpreende.

Os defensores dos bons sucessos da iniciativa privada insistem há muito que o Estado deve encarregar-se apenas dos serviços mínimos. Quem pode pagar a educação, deve pagá-la, argumentam.  Alguns dos que advogam a importância do Estado, também se perderam nas curvas e contra-curvas da oferta e da procura.

Certo é que muitas famílias da classe média (e da média baixa) endividaram-se em nome de uma educação melhor para os seus filhos.  Hoje, são forçadas a regressar às origens.  O que será tão grave na educação como na saúde, caso sejam igualmente obrigadas a poupar nos seguros que lhes abrem as portas dos hospitais privados.

Temo que, de tão habituado à convivência saudável com a iniciativa privada, o Estado se tenha esquecido de equacionar as possíveis migrações massivas aos seus serviços universais.Temo que tenha ignorado que, em momentos de crise, os consumidores preferem a marca branca.

Sem comentários:

Enviar um comentário