domingo, 17 de julho de 2011

Declaração de interesses

Tento ciclicamente libertar-me da visão quadrúpede dos lobos. Obrigo-me a questionar as instituições e as ideologias que, durante séculos, foram tricotadas por grandes e pequenos cérebros.

Com algum esforço, debato-se com a constatação de que a obscuridade dos interesses comuns tende a aniquilar os indivíduos. Com igual desalento, observo que a soma dos egoísmos privados não é bastante para alcançar os interesses de todos.

Encontro na social-democracia um refúgio para as minhas inquietações políticas. Aquela que defende ser tarefa do Estado promover uma sociedade igualitária. E que em Portugal vem sendo defendida pelo socialismo democrático. Porque é um valor republicano e de esquerda.

As verdades políticas, refratadas pelos ângulos de visão, espelham valores e mundividências pessoais. Dos quais não há que ter vergonha e sem os quais não existem comunidades funcionais.

É natural que o mundo seja visto, por um Advogado, como um teatro de conflitos. A arbitragem das batalhas humanas exige uma Justiça neutra que preserve o bom senso.

Orgulhoso de ter nascido em Portugal, e dos sucessos do meu povo, não deixo de colher da História o terror da barbárie. Os direitos humanos devem ser defendidos, aqui, mais do que em qualquer outro lugar.

À nacionalidade portuguesa, somo a utopia de uma nacionalidade europeia. Repudio, contudo, as arquiteturas de gabinete que insultam a base de qualquer comunidade política: os seus cidadãos.

Em 2011, o meu país reconheceu o falhanço do seu rumo. Coroando a longa resistência do povo português e interpretando os seus sentimentos profundos *,  constituo-me no direito de falar por mim próprio. A expressão da democracia impõe-mo.

Sem comentários:

Enviar um comentário